o quebra… o bate… o cospe… o maltrata…

Aquela coisa de sempre… música… poesia… bebida… mulheres… tecnologia… enfim… os motores do mundo.

29  06 2008

Samba de Janeiro

Eu nunca tive o menor interesse por futebol… Acho o tipo de esporte grosseiro e deselegante. Ainda assim, quando eu era guri meu pai (como a maioria dos pais do mundo, creio), tinha a secreta ambição de que ao me chamar pra jogar uma bolinha aos domingos numa rua sem trânsito aqui do bairro ou me convidar pra assistir aos jogos do valoroso Vitória no - agora extinto - estádio da Fonte Nova, despertaria em mim qualquer vestígio de interesse… Triste esperança…

Da Fonte Nova eu até vim a gostar tempos depois, mas por razões bem diversas do puro amor ao esporte que meu pai tencionava me deixar como legado… Eu me atraía mesmo era por toda aquela festa colorida… o congraçamento com os amigos gritalhões e desorganizados… os shortinhos curtos das sorridentes torcedoras… e o mais importante: As generosas doses de cerveja gelada que os vendedores passavam vendendo durante todo o jogo nas arquibancadas! Aliás… bons tempos aqueles em que não tínhamos de nos levantar o tempo todo pra ir ao bar comprar cerveja… como se já não bastassem as idas aos banheiros imundos… O desenrolar do jogo? Eu mal sabia pra que lado fazíamos gol, e os nomes dos jogadores do time adversário eram para mim tão desconhecidos quanto os do meu próprio time…

Mas ainda que o futebol não me prenda a atenção, gosto de apreciar as jogadas bem feitas. Alguém já disse que o gol em si não é tão importante quanto o drible… e eu compartilho desta opinião. E foram exatamente estes dribles que me levaram, pouco a pouco, a acompanhar o campeonato europeu de futebol. Tudo começou com o natural desdém mal dissimulado com que brasileiros (mesmo os que não tem intimidade alguma com o esporte) contemplam jogos disputados por outros povos… Mas tive, aos poucos, que me render ao óbvio. Eles são melhores que nós. Até eu, o mais leigo dos brasileiros, e um dos prováveis dois ou três que não se arvora a técnico de futebol, pude perceber isso.

Os jogos foram transmitidos pela Record, o que se não tivesse nenhuma outra vantagem, já valeria pelo fato de não ter de escutar as sandices do Galvão Bueno. Por outro lado, meu lado machista teve de acostumar-se a uma mulher comentarista, ainda que eu a imaginasse o tempo inteiro tão somente lendo os comentários de um daqueles rechonchudos comentaristas esportivos.

Os jogos foram todos muito bons, e nem Portugal nem Turquia (os dois times pelos quais eu tinha certa predileção) chegaram às finais. Os alemães continuam tendo jeito de bandidos de filmes do Indiana Jones, eu não consegui guardar o nome de um único jogador que já não conhecesse e, pra desespero de meu pai, o que mais me marcou no campeonato inteiro foi a musiquinha tocada a cada gol marcado.

Samba de Janeiro


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