Maio de 68
Meu país é a pátria da juventude cara-pintada, que sai às ruas pra fazer protesto enchendo a cara de vinho barato e aparecendo na TV falando um monte de frases feitas que escutou em algum lugar e cujo alcance do significado mal apreende. Nada contra vinho barato (prazer ao qual, é bom que se diga, eu me dedicava com inegável prazer), mas há qualquer coisa de diferente aí… A história do Brasil é rica em exemplos de homens e mulheres que são hoje exemplos muitíssimo bem acabados de cidadania e expressão de valores e que foram os adolescentes do final dos anos 60. Tomavam vinho e caíam pelas esquinas dos bares, como adolescentes vão fazer até o final dos tempos… Mas também discutiam música, filosofia, arte, literatura e política. Neste ponto é que é como se qualquer coisa tivesse se perdido pelo caminho, já que eu honestamente não consigo ver nesses meninos que hoje acotovelam-se nos bailes funk ou nos pagodões aquela chama … o temperamento intempestivo e irrequieto… a sede de abraçar o mundo e subvertê-lo… a busca do entendimento das engrenagens do mundo… os ícones a serem seguidos.. enfim… não é que se precise sair à rua protestando contra o que quer que seja e ser contra-cultural até no café da manhã… mas os exercícios da cidadania e da indignação, estes tem de ser mais fortes e intensos em adultos jovens… fazem parte de sua própria essência. Ou deveriam fazer, pelo menos…
Ou de repente sou só eu, mais turrão a cada ano que passa… pode bem ser…
Mas chega de conversa… este post era pra ser originalmente só uma forma capenga de prestar uma pequena homenagem aos 40 anos do mês de maio de 1968 e de toda a importância que, do ponto de vista das idéias, teve pra França… pro Brasil… pro mundo. E é o que ele vai ser, no final das contas.

Precisa ler um pouco disso. Faz tempo que não venho por essas bandas. Como há tempos não vou ao Barbalho.
E você, meu velho amigo, como anda?