Salve Zélia Gattai

Conheci Zélia Gattai, como a maioria das pessoas, por intermédio de Jorge Amado. É interessante notar como em quase todas as fotos de divulgação dele, do grande e internacionalmente conhecido escritor, e antes mesmo desta época, do já nacionalmente conhecido líder e militante comunista, ela estava logo ali ao lado… sorriso tranquilo, geralmete abraçada a ele com o jeito sereno de quem diz “estou aqui, e sou toda apoio pra ti”. Já li “Anarquistas, graças a Deus”. Não é um livro excelente… não tem os personagens tão perfeitamente idealizados nem tampouco a beleza descritiva dos cenários ou dos tipos humanos dos livros escritos pelo marido. Ela sempre fotografou muito bem também. Mas seus trabalhos (os que tive oportunidade de ver, pelo menos) sempre tiveram pra mim um quê de “familiaridade” do cotidiano… no sentido de não serem chocantes, ou encantadores, ou belos… é como se ela fosse uma fotógrafa das coisas de dentro de casa, e não daqueles momentos únicos destinados a maravilhar o mundo.
Mas está aí, a meu ver, a força de Zélia Gattai. É que no final das contas, eu sempre vi nela o porto seguro… o ombro amigo, fonte inesgotável de carinho e paz… aquela figura italiana forte e sempre presente que se não foi ela própria a inspiração mais pura, foi certamente o ambiente que tornou propício esta inspiração. Deixo registrado meu pesar por seu falecimento…
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