o quebra… o bate… o cospe… o maltrata…

Aquela coisa de sempre… música… poesia… bebida… mulheres… tecnologia… enfim… os motores do mundo.

04 2008

Gonna fly now

It aint over till it\'s over

Quando vi da primeira vez, custei a acreditar… Rocky Balboa está em cima de um ringue uma vez mais!! E daí que se trate de um Stallone alquebrado pelo tempo (o provável pior dos adversários que já enfrentou)? Que podem, afinal, seis décadas de vida contra o eterno garanhão italiano? Aquele sujeito de olhar firme e duro, passional como todo boxeador que honre o nome deve ser. Eye of the tiger, Rocky! Os movimentos são sim, bem mais lentos e pesados. Mas o olhar, atualmente emoldurado por generosas doses de Botox, ainda está bem ali… e ainda assusta!

Quem quer que, como eu, esteja na faixa dos 30 anos, muito provavelmente conhece de cor os adversários de Rocky. Eram todos sujeitos enormes, prepotentes e fortíssimos e que, pelo menos em condições normais, nunca seriam derrotados por aquele abusado orgulhoso descendente de italianos da Filadélfia (devo aliás, admitir de público um pequeno detalhe: sim… eu gostava tanto da cena da escada que vivia imitando-a… não houve como não lembrar disto quando vi o finalzinho do filme). Só que é justamente aí é que está toda a magia dos filmes de Rocky. O que o torna, a meu ver, diferente da grande maioria dos heróis do cinema moderno é esta sensação que fica o tempo todo em quem o vê de que ele é só um sujeito da vizinhança… Aquele indivíduo meio bronco, que faz compras ali no mercadinho, e é apaixonado meio que em segredo pela irmã do amigo (no nosso caso, o velho e rabugento Paulie), tem valores simples de vida, gosta da mulher e dos amigos de uma forma sincera e apaixonada, tem um emprego comum, medo diante dos obstáculos da vida e que, principalmente, vai até onde tiver que ir e, não importando quão grande, assustador ou indestrutível seja quem esteja do outro lado, vai e ganha - ou não… e a simples possibilidade da derrota (possibilidade esta não tão remota, a julgar pelos resultados de suas lutas com Apolo Creed, por exemplo) é que o torna tão humano… tão próximo de cada um de nós.

É interessante perceber como a trajetória dos filmes de Rocky Balboa parece acompanhar passo a passo as mudanças pelas quais o mundo vinha passando na época em que eram filmados. É emblemática a meu ver a luta contra Ivan Drago, por exemplo. Se ali Balboa não for a personificação mais completa do cidadão americano médio, mostrando quão magnânimo poderia ser em sua luta contra tudo que é mau e sujo (e consideremos “maldade” e “sujeira” aqui o uso constante de anabolizantes e a atitude praticamente robótica do lutador soviético), não sei o que mais seria… E mais uma vez, Balboa treina e contra todas as adversidades, sua truculência simplória vence o arcabouço tecnológico que se formou à volta do russo.

Rocky sempre foi um herói único. Incorporou como nenhum outro a idéia da possibilidade da vitória ante o impossível. Afinal, segundo palavras do próprio Balboa, não importa tanto quão duro se bate… o que vale mesmo é por quanto tempo se aguenta apanhar e se continua de pé… e continuar e pé… bom… é com Rocky Balboa mesmo!


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