Gonna fly now

Quando vi da primeira vez, custei a acreditar… Rocky Balboa está em cima de um ringue uma vez mais!! E daí que se trate de um Stallone alquebrado pelo tempo (o provável pior dos adversários que já enfrentou)? Que podem, afinal, seis décadas de vida contra o eterno garanhão italiano? Aquele sujeito de olhar firme e duro, passional como todo boxeador que honre o nome deve ser. Eye of the tiger, Rocky! Os movimentos são sim, bem mais lentos e pesados. Mas o olhar, atualmente emoldurado por generosas doses de Botox, ainda está bem ali… e ainda assusta!
Quem quer que, como eu, esteja na faixa dos 30 anos, muito provavelmente conhece de cor os adversários de Rocky. Eram todos sujeitos enormes, prepotentes e fortíssimos e que, pelo menos em condições normais, nunca seriam derrotados por aquele abusado orgulhoso descendente de italianos da Filadélfia (devo aliás, admitir de público um pequeno detalhe: sim… eu gostava tanto da cena da escada que vivia imitando-a… não houve como não lembrar disto quando vi o finalzinho do filme). Só que é justamente aí é que está toda a magia dos filmes de Rocky. O que o torna, a meu ver, diferente da grande maioria dos heróis do cinema moderno é esta sensação que fica o tempo todo em quem o vê de que ele é só um sujeito da vizinhança… Aquele indivíduo meio bronco, que faz compras ali no mercadinho, e é apaixonado meio que em segredo pela irmã do amigo (no nosso caso, o velho e rabugento Paulie), tem valores simples de vida, gosta da mulher e dos amigos de uma forma sincera e apaixonada, tem um emprego comum, medo diante dos obstáculos da vida e que, principalmente, vai até onde tiver que ir e, não importando quão grande, assustador ou indestrutível seja quem esteja do outro lado, vai e ganha - ou não… e a simples possibilidade da derrota (possibilidade esta não tão remota, a julgar pelos resultados de suas lutas com Apolo Creed, por exemplo) é que o torna tão humano… tão próximo de cada um de nós.
É interessante perceber como a trajetória dos filmes de Rocky Balboa parece acompanhar passo a passo as mudanças pelas quais o mundo vinha passando na época em que eram filmados. É emblemática a meu ver a luta contra Ivan Drago, por exemplo. Se ali Balboa não for a personificação mais completa do cidadão americano médio, mostrando quão magnânimo poderia ser em sua luta contra tudo que é mau e sujo (e consideremos “maldade” e “sujeira” aqui o uso constante de anabolizantes e a atitude praticamente robótica do lutador soviético), não sei o que mais seria… E mais uma vez, Balboa treina e contra todas as adversidades, sua truculência simplória vence o arcabouço tecnológico que se formou à volta do russo.
Rocky sempre foi um herói único. Incorporou como nenhum outro a idéia da possibilidade da vitória ante o impossível. Afinal, segundo palavras do próprio Balboa, não importa tanto quão duro se bate… o que vale mesmo é por quanto tempo se aguenta apanhar e se continua de pé… e continuar e pé… bom… é com Rocky Balboa mesmo!
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