As praças do mundo
E ali, sentado no meio de todo aquele verde, ele se pegou pensando nas praças deste mundo… em como elas no final das contas são, via de regra, pequenos oásis de tranquilidade bem no meio do ir e vir caótico e desengonçado das grandes metrópoles. Observando as árvores em volta sentiu-se, se não em paz, pelo menos protegido pela barreira de silêncio e sombra que suas copas ofereciam. Tudo por ali tinha uma atmosfera de tranquilidade e entorpecimento que chegava a ser irônica, ainda mais se considerados ônibus, buzinas e ambulantes a apenas algumas poucas centenas de metros. E justo nesta hora, enquanto observava distraidamente um grupo de crianças brincando num parque próximo, a viu chegar. Ainda que já houvesse visto aquela mesma cena dezenas de vezes, a desenvoltura despretensiosa com que ela andava, olhando o mundo de frente com a tranquilidade franca que só as que transcenderam a necessidade de se fazerem apreciadas e desejadas possuem, ainda lhe enternecia dum jeito tal que um afoguear involuntário sempre lhe subia ao rosto tão logo a via.
E ela veio vindo meio como quem não vem, e deram-se o abraço costumeiro, como tem sido desde sempre… E era, como também foi desde sempre, um abraço intenso, bom e afetuoso… um tipo de compromisso acordado sem palavras, em que um não dizia ao outro “ei, é bom te ver”. E não dava vontade de se afastar mais. Sentaram-se num banco qualquer da praça, onde ainda chegava uma réstia do sol alaranjado da tarde por entre as árvores. Ela virou o rosto meio de lado, e começou naquela característica tagarelice quase infantil que tanto o encantava. Era invariável… deixava-a falar o quanto quisesse… e, bom… ela falava! De como andava sua vida, e de seu trabalho também. E dos planos para o futuro (dos mais simples aos mais mirabolantes), enquanto que ele, por sua vez, sorvia tudo aquilo enlevado pela serenidade daquele par de olhos. Aquele belo e expressivo par de olhos que sempre suscitara nele uma vontade enorme de protegê-la e mantê-la sempre perto.
E foi uma tarde cheia duma magia simples… passou de forma tão rápida que mal notaram… mas daí, quando deram-se conta da hora, um último abraço e se despediram… afinal, cada um deles tinha ainda seus próprios compromissos… e deixaram a silenciosa e mágica segurança das árvores da praça, voltando uma vez mais para os ônibus, as buzinas e os ambulantes barulhentos, ao tempo em que, vendo-a afastar-se, pensava em quão complexos, duradouros e fortes podem ser os laços que unem duas pessoas.
Sempre me emociono quando leio este encontro. É de uma simplicidade tão doce, de uma ternura tão tocante…
Deliciosa a tua escrita, Leo.
Ainda bem que voltaste a publicar.
Beijos