Brother Sun, Sister Moon
são francisco de assis foi um homem intrigante. filho de pais ricos, teve em algum ponto de sua juventude cheia de excessos o que o cristianismo convencionou chamar de “iluminação”, que acabou por levá-lo a abdicar de todos os bens que tinha - incluídos aí a própria herança da famlília e o sobrenome - em favor de uma vida de pobreza e resignação. outros nobres da região acabaram por seguir o mesmo caminho, compartilhando com ele de seus ideais de vida.
descontados os exageros históricos com que os cristãos em geral endeusam seus mártires, sobra uma pessoa digna de admiração. pobre por opção numa época em que própria fé que professava se caracterizava pela ostentação, com uma nobreza de caráter tão grande que lhe permitiu encarar as maiores provações com um sorriso franco no rosto e um olhar cheio de pureza (olhar e sorriso que estão aliás em todas as suas representações artísticas tradicionais), não chega a ser preciso entrar no mérito da veracidade de suas crenças para respeitar alguém que transpire tanta bondade, paciência e desprendimento para com os que o cercam. francisco tinha uma filosofia de vida cuja máxima era construir pequenas coisas, cada uma a seu tempo, sem pressa ou estardalhaço. e foi assim, sem pressa nem estardalhaço, que foi enternecendo corações empedernidos, e levando adiante a obra em que acreditava.
francisco tinha sensibilidade de perceber a beleza das coisas pequenas e simples. estava em harmoniosa sintonia com seus irmãos… incluídos aí pássaros… o sol… a lua… e os humildes do mundo. e esta visão tão maravilhosa da vida passa longe de preceitos e regras ligados à religiosidade e crenças em geral.
p.s. é que não é preciso ser cristão pra se enternecer com pessoas boas.
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