A mulher da minha vida
a mulher da minha vida tem de ser carinhosa. de fato, não tem de necessariamente ser carinhosa da forma convencional. pode bem ser lá do jeito particular dela… e eu até prefiro que seja assim. que tenha seu temperamento arredio e áspero, que deva ser “vencido” e lapidado pouco a pouco. e que seja boa e recompensadora a sensação de vencê-la, e fazê-la perceber quão desnecessária é para mim a carapaça usada pras outras pessoas. esta mulher tem de ter o mais belo par de olhos do mundo. e disto não abro mão. quero-os tristonhos, expressivos e profundos a tal ponto que quando ela chegue perto, a resposta para um”oi, como vai?” perca o sentido… porquê já vai estar ali, bem clara, escrita eloquentemente na sutil diferença em seu brilho e coloração. tem de ser olhos tais que nas tardes bucólicas de beira de praia de salvador atraiam mais a atenção que o mar… ora… e quem mais que não a mulher da minha vida teria olhos que atraíssem mais que a beleza infinita e quase onipresente do mar?
a voz da mulher da minha vida tem de ser bonita. a ponto de me fazer sentir saudades sempre que fale ao telefone… e dê logo vontade de escutá-la in loco. tem de ser macia, melodiosa e tranquila… pra que assim continue ecoando em minha cabeça muito tempo depois de eu haver escutado falar. e tem coisa melhor que fechar os olhos e continuar escutando a voz da mulher de nossa vida na cabeça? a mulher de minha vida não precisa estar exatamente dentro dos meus padrões de mulher ideal. mas ela precisa - com o jeito desengonçado e tímido de andar -me encantar a ponto de me fazer decorar cada pequeno detalhe de seu corpo… a mulher da minha vida me instiga intelectualmente. é uma mulher extremamente inteligente, com aquele tipo de inteligência viva que não é pedante, e que facilmente compreende o mundo a sua volta…e tem uma curiosidade sadia que a impulsiona todo o tempo a vir a entender o que ainda não domina. ela tem de ter um jeito desleixado na forma como se veste, e pelo menos aparentar que não é “mais uma” mulher, no sentido de que - sabe-se lá por que meios - já tenha nascido sabendo combinar roupas, regras de etiqueta e joguinhos de sedução. aliás, sabe um dos maiores indicativos de que alguém encontrou a mulher de sua vida? quando se pega observando-a sem que ela esteja percebendo, e são só de ternura os pensamentos que lhe vão pela mente… a ponto de, quando ela se percebe observada, perguntar da “cara de bobo” com que você sempre fica olhando pra ela… e a idéia de pensar que pode vir a perdê-la lhe é inadmissível… na verdade, chega a ser dolorosa… eis a mulher da tua - e da minha - vida.
quanto ao resto… bom… o resto é o resto… a química, pura e simples… e é a descoberta, lá um dia quando você acorda, de que já não existe “você”… existe “ela e você”… e neste dia, amigo, parabéns! você acabou de perceber - porquê descobrir você já o tinha há tempo - a mulher da tua vida!
o texto saiu aos borbotões. as últimas semanas tem sido meu inferno pessoal… o texto é a colagem resultante de uma madrugada insone há alguns dias (onde na verdade pude perceber claramente que as paredes que eu olhava fixamente não saíram do lugar), misturada com um dia estafante de trabalho.
Publicado originalmente no e-digitais em 26 de setembro de 2005.
hmmmmmmm…
curiosidade bateu na minha porta..
rebuliços nos meus desejos que estavam tão adormecidos…
que vontade que me deu de “ser encontrada”…
beijos
Já te disse que é sempre mto bom vir aqui te ver