Eu e meu PDA (Parte I)
Venho acumulando ao longo do tempo uma quantidade considerável de textos em formato eletrônico. Com as facilidades que a Internet oferece, com sua fartura de sites de repositórios de dados e softwares p2p a coisa mais fácil que há é se acabar juntando mais informação do que a que se consiga assimilar. E eis que me vi com textos eletrônicos às centenas (tutoriais técnicos, livros inteiros - tanto técnicos quanto de literatura - manuais, comics, etc) e uma situação, pra dizer o mínimo, incoveniente… Muita informação pra ser absorvida e a impossibilidade de ter acesso a ela, devido principalmente ao desconforto que é sua leitura por horas seguidas no monitor do micro aliada ao alto custo que seria sua impressão em papel.
Comecei então a estudar alternativas práticas para a leitura deste material. Pensei logo em ebook readers, e durante minha busca esbarrei em soluções como este Sony PRS-500, cujo valor só compensaria no improvável caso de suas peças serem todas feitas de ouro, ou algo do gênero :). Daí desviei minha atenção para os PDAs, e foi então que a coisa começou a ficar interessante. PDAs são extremamente portáteis, baratos (desde que se saiba onde procurá-los), são excelentes agendadores pessoais e se prestam muito bem à leitura de livros eletrônicos (ainda que nem todo mundo chegue a adaptar-se completamente a eles para este uso). Foi assim que acabei achando numa pechincha no mercadolivre um Sony Clié PEG-PSJ30 usado, aparelho já descontinuado mas que me atende com folga em minhas necessidades. Não vou me alongar em suas características, já que o review é bastante completo, mas acho que algumas delas merecem destaque:
- Tela de alta resolução, de 320×320 pixels (quesito importante pra uma leitura confortável, principalmente quando se trata de textos longos).
- Slot de expansão para cartão de memória (o meu veio com um catão de 16Mb. como cada livro tem cerca de 300kb, dá pra se ter uma idéia da enorme quantidade de documentos que é possível carregar a cada vez no aparelho).
- “Jog dial”, que é um botão utilíssimo com o qual se pode correr com mais facilidade o documento que se está lendo com uma só mão.
- Boa autonomia de bateria. Aqui comigo, que passo horas a fio com ele ligado (com nível de brilho pouco abaixo dos 40%), a bateria dura uns 2 ou 3 dias. Se o uso for só como agenda e gerenciador de tarefas, creio que a carga dure mais de 1 semana.

Cabem aqui alguns comentários. O SO utilizado é o Palm OS 4.1, já um pouco antigo, e que não suporta as versões mais recentes de alguns softwares importantes, como por exemplo leitores de PDF. Isto pode ou não vir a ser um incoveniente, já que eu acabei descobrindo que converter os originais pdf para pdb (formato nativo Palm, e neste caso específico legível pelo software Plucker) é muito melhor, devido à redução do tamanho final do arquivo.
A instalação e detecção do PDA em linux é extremamente tranquila. Testei em três máquinas, e tanto no Slackware quanto no Debian e no Ubuntu houve o reconhecimento sem maiores dificuldades (vale lembrar que em todas as distros uso o kernel mais recente disponível). Alguns pacotes que acho importantes que sejam instalados são: pilot-link, gnome-pilot e gnome-conduits. Pra quem usa gnome e o cliente de email Evolution, há a possibilidade de sincronia dos dados do catálogo de endereços. No caso do kde, uma excelente alternativa é o kpilot, que também faz sincronia com o Kmail. Há no gnome um applet que permite rápida sincronia de dados com um clique. Eu, que gosto da flexibilidade da linha de comando, prefiro fortemente o pilot-xfer.
Este Clié não tem cradle, e sim um cabo de conexão que também serve para alimentação, cuja conexão é feita via USB. Deve-se então carregar o módulo visor (modprobe visor), e uma vez clicado o botão de sincronia no cabo de dados (ou, no próprio PDA, clicando-se na opção de sincronia), são criados os devices /dev/ttyUSB1 e /dev/ttyUSB2. Fica a dica: crie em $HOME/.bashrc uma variável de ambiente da seguinte forma: export PILOTPORT=”/dev/ttyUSB1″. Isto poupará o trabalho de digitação a cada uso do pilot-xfer. Outro detalhe importante: deve-se criar o device ttyUSBx (clicando-se no botão de sincronia) ANTES de rodar o pilot-xfer, ou o PDA não será reconhecido. Só vim a notar este detalhe da pior maneira, depois de quebrar muito a cabeça, infelizmente…
Bom… creio que já me estendi demais. Logo logo posto o que seria uma segunda parte deste artigo, com algumas outras dicas sobre uso do PDA, algumas outras opções no mercado nacional, bem como os aplicativos que mais venho usando.
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