o quebra… o bate… o cospe… o maltrata…

Aquela coisa de sempre… música… poesia… bebida… mulheres… tecnologia… enfim… os motores do mundo.

11  08 2007

As latinhas de Vick Vaporub

Alguém já parou pra prestar atenção nas latinhas de Vick Vaporub? É!! O Vick Vaporub! Aqueles potinhos azuis cuja pomada, com textura e cheiro bem característicos é provável que tenha lambuzado os narizes de praticamente todos os adultos jovens à nossa volta (e seus pais, os adultos já não tão jovens… e talvez até alguns dos poucos pais destes últimos), remetendo inclusive a maioria àqueles períodos em que, acamados, viam-se cercados por aquela miríade de sabores e gostos (a maioria deles extremamente desagradável, é bom que se diga) de unguentos, chás e xaropes os mais diversos. Sempre tive cá minhas dúvidas sobre a real eficiência de parte destes remédios… mas como vem em geral acompanhados de carinhos e cuidados de pais extremosos, faço vistas grossas…

Pois dias destes estive extremamente gripado, a ponto de não ir trabalhar. O ato de ficar em casa durante um dia normal de trabalho por motivo de doença sempre trouxe consigo certa sensação de proibido e porque não dizer, um quê de remorso e culpa; prováveis resquícios duma época em que ainda era preciso fazer toda uma ginástica que envolvia boa dose de atuação (e quantos excelentes atores não se perderam nesta época!), outro tanto de sorte, além da invariável colaboração de mães zelosas ao extremo, atentas às mínimas (ainda que irreais) mudanças de temperatura dos pimpolhos remelentos naqueles perigosos - e pelo menos no meu caso já longínquos - tempos de colégio em que quase sempre era sempre preferível arriscar uma pequena encenação com a consequente possibilidade de uma segunda chamada das provas para as quais não se estudou à possibilidade de uma (ou “mais uma” na maioria dos casos) nota baixa.

E é justo no meio da manhã, depois de assistido um bom tanto dos entorpecentes, sensacionalistas e pseudo edificantes programas para donas de casa, que minha mãe me traz um dos tais dos potinhos de vick vaporub. Peguei-o mais por vontade de agradá-la que por qualquer outra razão, e cheguei mesmo a pensar em jogá-lo sutilmente por ali em algum canto do sofá onde seria devidamente esquecido, ela não perceberia e estaríamos conversados. Mas ao que parece o programa lhe interessava mais que a mim, o que fez com que ela ficasse ali ao lado e me fizesse mudar de planos. Era simples… pegaria ali um punhado daquela panacéia, usaria e daria adeus à doença.

Mas quem disse que a latinha abria? Desde que me lembro em garoto (talvez até ainda venham as ser descobertos fósseis de homens pré-históricos com potinhos de Vick Vaporub) estas latinhas eram como são hoje. A dificuldade para abri-las inclusive. Não adianta desenroscar (afinal não há rosca), assim como não adianta simplesmente puxá-la. E me pego pensando: “Estou doente… a auto-estima lá embaixo, o corpo inteiro dói, e devo ser um total idiota, já que estou diante do remédio e não consigo sequer abri-lo!”. Tudo bem que há um certo charme no tradicionalismo cafona, mas essa turma que fornece estes potinhos exagera… Daí que fico aqui imaginando: em tempos de ecommerce e facilidades online em que até os meninos do mercadinho ali da esquina querem mostrar competitividade, quanto tempo eu levaria pra fazer uma busca rápida e despretensiosa na internet e vir a encontrar o concorrente direto do Vick Vaporub que fabrique pomadas que, se não tiverem o charme e o tradicionalismo dele, pelo menos se abram e permitam o uso do produto.

p.s. minha mãe, quando notou minha dificuldade, deu um daqueles sorrisos quase imperceptíveis, tomou a latinh e deu aperto rápido e um puxão, e a latinha abriu-se. o que siginifica dizer que mães vem equipadas com acessórios apropriados para abrir potinhos de Vick Vaporub…


2 Responses to “As latinhas de Vick Vaporub”

  1. Mas tu ainda não sabes que as mães adquirem algumas competências próprias logo que os filhos nascem? Nunca percebi porque é assim, mas também o descobri, quando nasceu a minha princesinha ;)
    Acredita, o tão falado instinto existe mesmo.

    Beijos para ti e para a tua mãe :)

  2. ahahahahahaha!!! Essa foi demais, não é que é exatamente o retrato de um comum dia-a-dia na vida de um filho doente? E concordo com o que disse aí a Cris, mas vamos e venhamos que essa tal “bendita” latinha de vicki vaporub é hããããã, melhor não dizer o que penso, seria impróprio, substituo portanto, por “demais de de difícil, ah! lá isto é…” Amei.. bjs…

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